19.5.09

Palestrante. Esse ilustre desconhecido.
por Silvio T Corrêa

A cada propaganda que recebo de eventos, conheço novos palestrantes desconhecidos. A febre que já estava, há algum tempo, alta, parece que estourou o termômetro do bom senso e acusou a falta do simancol (http://www.dicionarioinformal.com.br/definicao.php?palavra=simancol&id=3511) na caixa de remédios.

Mas também pudera! Até eu, que já quis um dia ser palestrante conhecido, tenho pensado em retomar a atividade. O pessoal paga muito bem para um sujeito falar durante 2h, quando muito e sem descontar o tempo das “dinâmicas”. Ta certo, tem muito palestrante bom e sério, e esse é o grande problema. Os bons, sérios e consagrados — por serem bons e sérios —, nós já conhecemos. Os bons, sérios e desconhecidos, que renovariam os antigos, ficam misturados à raia miúda ou àqueles que querem participar da festança.

Vamos ser sinceros. Depois que o David (modernoso), ou Davi (do passado), falando errado, ganhou(a) dinheiro palestrando sobre as estratégias que funcionavam para um negócio do porte de uma banca de doces, e que acharam que serviriam para grandes empresas, eu também passei a achar que a minha história de sucesso na construção de uma casinha de cachorro, pudesse render uns trocados se eu a contasse, em palestras, para empresas de construção civil. Infelizmente — para mim, é claro —, elas queriam alguém que já tivesse construído, e vendido, uma quantidade maior de casinhas de cachorro.

A gente acaba, sem querer, sendo cruel, mas não tem jeito. Eu, particularmente, acho um absurdo que as empresas, que não sejam de desportos, contratem o excelente jogador, e profissional, Oscar Schmidt como palestrante. Mas é ainda mais absurdo contratarem alguém. por ser irmão do Oscar.

Meu filho está me avisando, aqui ao meu lado, que vão me chamar de palestrante frustrado. É capaz de terem razão, pois eu sempre quis ser, desde a primeira mini-palestra, em 1992, na OAB/RJ, para o pessoal de processamento de dados. Mas acho que a minha vontade não era tão grande. Afinal, naquela época, não pagavam tanto quanto agora.

O termo palestrante gera 1.450.000 ocorrências, em páginas brasileiras, no Google. A primeira ocorrência já avisa que ela tem os 100 melhores palestrantes do Brasil e convida o Lula pra ser um futuro palestrante. Eu nem gosto dele, mas reconheço que esse sim, tem muito pra ensinar.

Esse texto está tão gostoso de escrever que nem dá vontade de parar, mas infelizmente tenho que sair. Vou assistir uma palestra. “Como ser um palestrante de sucesso, em 10 lições.”

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25.11.08

Brasil! Eu não desisto!
por Silvio T Corrêa

Ouviram do aparelho de TV, tempos atrás, na sala que ocupava metade do quarto, a notícia sobre a queda da CPMF. Não demorou muito e passaram mantega na pista “que é pra nós escorregar e cair de bunda no chão da realidade”. Logo veio: “Nós vamos retaliar!”

Ipiranga, a estação da CPTM, estava sombria e o trem não chegava. Bem que podia ser um trem internacional. Não! Seria trocar um sapo com barba por um sem. Talvez um trem, exclusivamente, intercontinental!

Às margens da estrada de ferro, os prédios abandonados com as janelas quebradas retratavam, com fidelidade, o sentimento de abandono, de descaso, que tomou conta de quase todos.

Plácidas, altivas e, ainda assim, como que alheias a tudo, no último banco do vagão; duas senhorinhas, da melhor idade, conversavam animadas. Sentei o mais próximo que pude, ainda que soubesse do pecado da indiscrição e da falta de educação que eu estava praticando. Mas precisava saber o que as deixava tão empolgadas e sei que seria mais fácil perguntar. Só que eu estava envergonhado pelo desânimo que sentia.

De um povo heróico, mas cansado de acreditar numa esquerda safada, numa direita sem-vergonha e num centro pior ainda, já ouvi muita coisa desesperada. Até dizerem que o “caçador de marajás” foi uma coisa boa, eu já ouvi! Mas as senhorinhas estavam acreditando na Vida, independente se fosse no Brasil ou em qualquer lugar. Faziam planos e estavam empolgadas para a abertura de uma lojinha de pastéis. Não me contive e perguntei: “Como as senhoras conseguem?”; “Não ficam preocupadas com o mundo e o Brasil que estamos vendo?”

O brado retumbante, veio forte, do íntimo jovem de cada uma daquelas duas senhoras! “O senhor está?”; “Fez, hoje, alguma coisa pra mudar?”; “Viu alguém jogar papel na rua e, reclamou? Ou deixou pra lá?”; “Fez, ao menos, alguma coisa diferente?” — calado continuei. “É claro que estamos preocupadas e estamos procurando fazer o que está dentro do nosso alcance. É o que podemos!” A pergunta martelava: Estou fazendo algo?

E o sol, da liberdade, que rompe os grilhões das prisões internas da alma, mostrou os primeiros raios. O problema maior, não está lá fora. É interno, é íntimo! Eu posso xingar, espernear, socar o ar ou a cara de alguém, ficar com pena de mim, culpar esse governículo que está aí, ou então fazer, realmente, algo que possa mudar, pelo menos, o meu mundo. Não é fácil, mas vale à pena.

Em raios fúlgidos, as duas senhorinhas brilhavam, apontando, não o caminho que eu deveria descobrir, mas a direção somente. Como pode? Estamos assim, tão cegos? Capazes de não vermos o que está à nossa frente? Agora então, com a crise americana, podemos nos esbaldar em motivos onde colocarmos a nossa culpa. É tudo tão negro, e fácil, assim? Eu, de nada valho?

Brilhou no céu, ao escurecer, a estrela da esperança. Esperança de novos rumos! Esperança de novos tropeços, pois os caminhos serão outros! Novos erros e, claro, muitos acertos! Esperança da união; do amor; da boa luta;

Da Pátria, nesse instante!

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24.7.08

Andando de Bicicleta
por Silvio T Corrêa

Perseguir um sonho, atingir um objetivo, executar um empreendimento, é como andar de bicicleta. Em 9, de 10 vezes, caímos! Mas na décima, pedalamos por quilômetros!

Você, certamente, aprendeu a andar de bicicleta como a maioria de nós. Alguém de confiança, o nosso mestre, segura o selim — banco da bicicleta —, enquanto você pedala e tenta manter o guidon, que teima em balançar, reto. A bicicleta joga pra lá e pra cá, mas a mão firme do nosso guia nos mantém na direção correta.

Tentamos, sozinhos, pela primeira vez. A bicicleta balança como se tentasse nos jogar ao chão. E consegue! Não podemos desanimar! Recomeçamos e (...) caímos novamente. E novamente! E novamente! Até que, quase por mágica, ela fica mais firme, balança, mas não cai! Estamos só, por nossa conta.

Ah! Que sensação de liberdade sentir aquela brisa leve batendo no rosto! A roda da frente ainda trêmula, mas seguindo em frente, avançando, prosperando na nossa atividade de pedalar, de "andar de bicicleta".

Cada um de nós leva mais, ou menos, tempo para aprender a andar de bicicleta. Tem que ser assim, pois somos diferentes, com anseios diferentes e dificuldades distintas. Enquanto Oscar Pistorius, de 21 anos, dá um show com suas pernas de fibra de carbono, tem gente, e gente muito boa, que com 60 anos ainda não aprendeu a andar de bicicleta. Mas continua tentando!

É isso que não podemos jamais esquecer! Não somos melhores ou piores; somos nós apenas! Sou eu, é você, é ele! Cada um com o seu tempo, com a sua história. Precisamos entender a nossa realidade; trabalhar junto a ela e não ficar contra ela!

Continuamos caindo da bicicleta? Não tem problema! Não parece, mas estamos aprendendo a cada tombo. Já conhecemos cada buraco, cada paralelepípedo solto no caminho. Já sabemos que não é nada fácil, mas não iremos desistir!

Os pais, irmãos, colegas nos cobram muito. O mundo nos cobra muito! E é bom que seja assim! A gana que essa cobrança gera, é combustível para avançarmos.

Não existe receita para aprender a andar de bicicleta e muito menos para tornar-se um ciclista campeão. Existe perseverança, existe choro, existe raiva, decepção. Mas existem alegrias, existem pequenas e grandes vitórias — que devem ser comemoradas.  

Definitivamente, andar de bicicleta é uma atividade complexa, mas todos tem direito a ela.

Se por acaso disserem que nunca aprenderemos a andar de bicicleta, não ligue pois este nunca será capaz de segurar um selim e exercer a função de mestre.

Escute o
Papo do Bastidor

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9.5.08

Dia das Mães
por Silvio T Corrêa

Eu queria tanto escrever uma crônica sobre a Mãe. Queria escrever sobre a mãe-mulher, a mãe-homem, a mulher-mãe, o homem-mãe! Mas o máximo que conseguia era olhar, as vezes por minutos seguidos, o título que eu já tinha escrito há quase 3 horas.

Resolvi sair, pegar um ônibus e observar. Com o gravador em punho, as pessoas estranhavam um cara, no "meio da rua", falando baixinho para a sua mão. Pensando bem, é estranho mesmo!

Assim que subi no ônibus, a primeira pessoa que vi foi o motorista. Na verdade, a motorista! Fui recepcionado por um sorriso!

Apenas com essa visão, já teria "inspiração" suficiente para falar sobre Mãe. Não sei o nome, mas deve ser Maria. Maria Mãe, Mãe Maria! Tento imaginar o dia de Maria.

Ainda na madrugada, às 4h, Maria levanta. Ao esticar os braços, expulsando a preguiça, toca o rosto do companheiro, que dá um sorriso e volta a dormir. Nas camas, as crianças ainda dormem, pois apesar dos reveses diários, a Mãe Maria está ali, zelando por eles.

No chuveiro, a água gelada do outono desperta de uma vez Maria. Está totalmente refeita, pronta para mais um dia. É dada a largada!

Mesa posta para o café; almoço pronto; uniforme separado. Tudo pronto!

— Bem! Bem! Acorda dorminhoco! Estou saindo. Daqui a pouco é preciso acordar as crianças!

O ônibus chegou no centro e nem reparei! Meus pensamentos ficaram interrompidos.

"Moço, me ajude!", disse um senhor, sem olhar diretamente para mim. O desânimo nos olhos era tão grande que a súplica foi enviada sem direção, buscando atingir qualquer ouvido. — O meu estava atento porque eu estava procurando, mas sei que, normalmente, não escutaria o pedido.

Como deve ter sido o dia desse Pai Maria, dessa Mãe João. Será que dormiu, será que olhou para os filhos, será que olhou para a mulher, Maria Mãe. Ou sera que nem pra casa conseguiu voltar. O que será que passa no pensamento da Mãe João? Será que tem esperanças?

Não tive inspiração! Me senti perdido! Comprei uma quentinha e, quase pedindo desculpas — Sim! Eu me sinto responsável! —, entreguei ao Pai Maria.

A idéia do Pai Maria me sensibilizou. A Mãe vai muito além da Maria ou do João. Ninguém é Mãe porque pôs no mundo. É Mãe porque zela, porque cuida, porque se importa. O filho pode ser Mãe da mãe, o pai ser Mãe da esposa, a esposa ser Mãe da sogra. Mãe é um estado. Cada um de nós, se quisermos, pode ser Mãe. Podemos ser Mãe, até mesmo, por alguns minutos, ao consolarmos alguém, ao levantarmos o astral de um colega.

O dia das Mães passa a ter um significado além. Assim como dizemos que todos os dias deveriam ser dias de Natal, dizemos, também, que todos deveriam ser dias da Mãe.

Deveríamos nos perguntar, todos os dias: Eu fui Mãe hoje?

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2.4.08

Não só o conselheiro
por Silvio T Corrêa

Constantemente paro o que estou fazendo e saio procurando, pela internet, crônicas e contos dos meus autores preferidos. Pois bem! Um dia desses, matando a saudade de ler os escritos de João Ubaldo Ribeiro (¹), de quem sou fã, dei de frente com a crônica "O conselheiro come ... " e suas edições. Fiquei pensativo.

Ora, se o Ruy Barbosa, "O Ruy Barbosa", era alvo dos pidões; se João Ubaldo Ribeiro foi, e ainda é, empanturrado de solicitações "sem custo"; muito me orgulha receber uma ou outra solicitação de um textinho aqui e outro ali, ainda que eu também coma. Mas eu, um pequenino escritor, ainda como também com os olhos e é aqui que a coisa pega. Não satisfeitos em solicitar uma crônica para disponibilizar em algum sítio da internet, jornal ou alguma revista, acabam publicando bulhufas e eu, além de ficar sem comer com a boca e com os olhos, fico com uma gastura danada.

Tive um colega, dono de um botequim, que dizia que ele reconhecia, entre os conhecidos, os amigos quando eles iam tomar uma cerveja ou comer alguma coisa. Dizia ele que Amigo, é aquele que quer pagar a conta do que consumiu.

Mas sempre tem né! O sujeito que quer levar vantagem existe em qualquer lugar, em qualquer profissão. É amigo, colega, conhecido, inimigo, parente — esse então! —, vizinho. Gente de todo tipo, raça e credo. E político? Esse nem é bom comentar! Religioso gente, tem religioso querendo, e levando, vantagem!

Ora, contudo não é só de comida e textos que vivem os pidões. O pessoal que canta e que toca tem, também, seus momentos de "non profit", "sem custo", ao atenderem o conhecido pedido de "dar uma canja". A canja (²), por sinal, deveria ser o símbolo mor dos pedidos de "ajuda gratuita" — não estranhem, é pra reforçar o sentido. Também não podemos esquecer do pessoal da informática que, além de saberem de tudo, são sempre agraciados com pedidos de canja. Rapaz, eu ia esquecendo dos contadores e advogados, principalmente nesta época do imposto de renda, que não dá canja pra ninguém ( o imposto). Ia eu esquecendo dos desenhistas.

Pensando bem, não dá pra aliviar ninguém. Acho que todos nós somos, uns mais e outros menos; em certas épocas mais, e em outras, menos; alvos dos amigos pidões, colegas pidões, namorado(a) e cônjuge pidão, parente pidão, agregado pidão e a raça dos pidões de plantão. Acho mesmo que deveria constar no cadastro brasileiro de ocupações, CBO, a ocupação de "pidão de plantão". Deveria existir o dia do Pidão Internacional, pois convenhamos que não é possível que só exista pidão brasileiro. Também não vamos avacalhar!

Então, deixa eu aproveitar o clima e pedir.

Se gostaram dessa crônica, divulguem! Se não gostaram, divulguem também. Só de raiva! 

(¹)
João Ubaldo Ribeiro - http://www.releituras.com/joaoubaldo_bio.asp
O conselheiro come ... - http://www.almacarioca.com.br/cro68.htm

(²)
Conta a lenda que a expressão "dar uma canja", surgiu através de cantores e instrumentistas que tocavam e cantavam por "um prato de canja".

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19.3.08

Verso do Adverso
por Silvio T Corrêa

(saindo da zona de conforto)

— Ah! Cheguei lá e fui logo procurando pelas comunidades brasileiras!

É comum ouvirmos essa declaração de pessoas que viajaram ao exterior, especialmente para países onde o espanhol — nesse, o pessoal até arrisca — e o português, em especial, não sejam a língua nativa.

O benefício da adversidade, que é o ganho de conhecimento; o exercício da comunicação; a vivência de valores regionais; a troca de informações e o crescimento como ser humano, não ficou nem em segundo plano. Ele não existiu! Ficou perdida a chance de valorizar a própria existência.

Quando geramos contatos, quando participamos de simpósios, congressos e feiras, quando queremos fazer negócio, precisamos procurar nos relacionar com o contrário, buscando o verso do que nos parece adverso, sair da nossa, famosa, "zona de conforto"! Só assim ganharemos bagagem profissional e cultural.

Aliás, não sei se fugir à adversidade, é uma mania da maioria do povo brasileiro, mas somos insistentes nessa característica. Veja só: "Ah não! Aquele ali é muito diferente de mim. Não dá pra fazer negócio com ele!"; "Que chato! Esse pessoal só conversa sobre trabalho! — Você vai a um determinado congresso e queria que eles conversassem sobre o que? —; "O cara é "muito" — ou "pouco" — pra mim. Não vai dar pra conversar!". São expressões corriqueiras, também, na vida social.

Que ninguém se engane ao pensar que quem chega ao topo é porque a vida lhe sorriu, apenas. A vida nos entrega oportunidades e, normalmente, oportunidades adversas. Tem um ditado, verdadeiro para mim, que diz algo parecido com: "A importância de caminhar não é a chegada, mas o próprio caminho." Muito verdadeiro!

São tantos exemplos que a natureza nos dá, mas acredito que o mais emblemático, nesse caso, seja o da borboleta rompendo o casulo adverso. É desse esforço, que suas asas ganharão forças para alçar vôo.

Não adianta procurar receitas, pois elas não existem. Nunca existiram, nunca existirão! Só a experiência do dia-a-dia, lhe trará a experiência e a sabedoria causada pela adversidade. Lhe trará o verso do adverso! 

Só depende de nós!

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10.3.08

Se cativas ...
por Silvio T Corrêa

Seduzir, cativar, ganhar a simpatia, é sempre uma atividade gratificante. O convite para o café, o sorriso aberto, o elogio, tudo faz parte do "cativar", do seduzir, e que acontece a todo momento, seja entre colegas, amigos, casais, pais e filhos.

Em comunidades então, é freqüente o ato, mais inconsciente do que consciente, de cativar.

Esse é o grande problema! E que fez com que a citação de Antoine de Saint-Exupéry "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." —, se tornasse conhecida e citada ao vento de todas as direções.

Deixamos de perceber, por exemplo, que ao darmos um cartão de visitas, fazemos uma ação de cativar, de nos aproximar. É mais do que um pedaço de papel que estamos entregando. Estamos dizendo: "Olha, meu telefone está aqui! Me liga!"

Em comunidades do tipo condomínio residencial, é importante o ato de cativar conscientemente. Quando fazemos um bolo, um pão, e levamos ao nosso vizinho, estamos procurando ser cativantes, conquistar a simpatia. Precisamos participar para sermos cativantes e deixarmos que nos cativem.

Quando buscamos cativar, fica implícito que buscamos um relacionamento. Ao chamar alguém pra conversar, pra bater um papo ou tomar um chope, estou, naturalmente, me colocando a disposição pra conversar, pra tomar um chope. Não posso dizer: "Desculpe, eu chamei mas não posso ir."

Não somos responsáveis, apenas, por aquilo que cativamos. Somos, também, responsáveis por aquilo que não cativamos. Se me sinto só, sou o responsável pelas amizades que não cativei.

Tão gostoso quanto cativar é perceber que estamos sendo cativados. É uma sensação muito boa, que massageia o ego e aumenta a nossa auto-estima. E as vezes vem de forma tão inesperada, que nos assustamos e ficamos sem ação, como estatuados.

Então, a ordem do dia é "cativar". Cativar a esposa, a namorada; os filhos e enteados; o colega de trabalho que fica no final do corredor e que nunca falamos com ele; o vizinho, da esquina; o guarda noturno; o vigia e o zelador do prédio; o amigo que não vemos e não falamos há mais de 1 ano; o irmão, que a distância separou. Cativa, cativa sempre!

Eu, da minha parte, vou tentando cativar você.

Abraços

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24.4.05

Palestra motivacional. Solução ou problema?
por Silvio T Corrêa

O ponteiro das horas já avançava um pouco das 22h. Dois amigos, empresários, tinham acabado de assistir uma palestra motivacional e caminhavam em direção ao estacionamento, aos seus respectivos automóveis.

- O que você achou da palestra?
- Ah! Gostei muito! Tem tudo a ver!
- Eu também! Estou me sentindo revigorado!
- Acho que vou contratar o palestrante.
- Você está executando algum trabalho com os seus funcionários?
- Não! É só para dar uma sacudida neles. Acho que estão precisando de motivação.
- Eu ainda não sei. Tenho um programa de desenvolvimento com os funcionários e algumas coisas que o palestrante falou, se encaixam no programa. Quem sabe? Pode ser que eu o chame para conversar.

Esse é um dos grandes problemas das palestras motivacionais! Quando isolada, seu efeito tem a exata duração de uma noite, já que no “dia seguinte” tudo estará igual.

No entanto, quando inserida dentro de um contexto maior, como um programa junto aos funcionários, ela terá peso de ouro e o retorno proporcionado poderá ser muito grande.

Haverá, nos dias, semanas e meses seguintes, uma continuidade do exposto na palestra. Haverá ações para o aumento da auto estima; existirão grupos de estudo de como melhorar os relacionamentos; grupos que discutirão soluções de problemas; apresentação de soluções pelos próprios funcionários; um programa, sério, de sugestões; cursos ocorrerão. A palestra terá agregado valor.

Na manhã seguinte, a primeira providência de um dos empresários da nossa breve história foi emitir um memorando para a média gerência, informando que todos os funcionários da empresa, assistirão a palestra do Sr. X sobre motivação. Terminava o documento informando que a palestra será após o expediente e custeada pela empresa.

Os gerentes não gostaram da idéia, pois havia problemas que necessitavam, urgentemente, de soluções e a diretoria alegava falta de verbas. Decidiram conversar com a direção da empresa.

Sem saída, o nosso empresário decidiu não contratar o palestrante, mas enviar 5 grupos de 5 funcionários, para assistir a palestra. Fazia questão de acompanhar os dois primeiros grupos para ver as reações.

Ao término da palestra, o empresário já não estava tão empolgado como na primeira vez, mas achou que era devido ao dia estressante que tivera.

- Então! O que vocês acharam? – decidiu perguntar já que todos caminhavam em silêncio absoluto.
- É ... foi bom ... deu para dar uma renovada.
- Também gostei, principalmente das piadas.
- Foi uma pena não ter apresentado um “case”, mas acho difícil expor um caso prático de motivação.
- Eu gostei muito da frase que ele disse: “Isso também passará.”
- Foi legal!

Procurou observar nos dias seguintes, algum comentário, alguma reação dos outros funcionários, mas o que ouviu estava muito aquém do esperado.

Na semana seguinte, no dia da palestra, dois funcionários que iriam assisti-la, alegaram problemas pessoais e não puderam ir. Convocou outros dois.

O cansaço do dia a dia, não permitiu que o nosso empresário assistisse toda a palestra. Assistiu alguns trechos, entre um e outro cochilo.

- Gostaram? Então pessoal! Foi bom?
- Algumas piadas eu já conhecia.
- Muito bom!
- Pena que termina tão tarde!
- É, poderia ser durante o dia.
- Estou com uma fome!

Na semana seguinte não foi diferente. Alguns saíram mais empolgados, enquanto outros, cansados.

Culpa de quem? Do palestrante? Claro que não. Ele está fazendo o trabalho dele, vendendo o seu “peixe”. Acredito que as intenções dos palestrantes sejam as melhores. Tentam, realmente, motivar, dar ânimo aos que assistem.

Do empresário? De forma consciente, acredito que não. A intenção é boa. Afinal, quem não gosta de ver seus funcionários motivados ? No entanto, uma palestra motivacional não tem serventia, se não estiver inserida em um programa de médio / longo prazo que objetive resultados duradouros.

Do funcionário? Não! Bom, esse nem preciso dizer porque.

O que fazer?

Preparar um plano. Verificar as pendências urgentes e incluí-las com itens prioritários do plano de ação. Implantar um canal de comunicação entre os funcionários e a direção. Avaliar itens básicos, como salário e benefícios. Se necessário, contratar uma assessoria.

Não adianta esperar resultados a curto prazo, mas se ocorrer não interrompa o programa achando que não é mais necessário.

A decisão da direção tem que ser totalmente consciente. É necessário saber os objetivos que se quer alcançar. É importante traçar metas intermediárias, que facilitem a identificação da necessidade de mudança de rumo no programa.

Nunca foi fácil implementar mudanças, mas os resultados compensam.

“Pare para pensar! Pense muito bem!”

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22.4.05

Deixe para Amanhã, o que não precisa ser feito hoje!
por Silvio T Corrêa

O cérebro parece retorcido. O trânsito de informações e conhecimentos, nas vias do pensamento, tornou-se um caos. Os neurônios disparam sinais loucamente, tentando acompanhar o ritmo. Os lados, direito e esquerdo, têm estado com uma tendência centrista, confundindo emoção e lógica em conclusões desconexas.

O movimento dos ponteiros de um velho carrilhão, marcando a hora correta, não condiz com o balançar, em câmera lenta, do pêndulo.

A rapidez com a qual queremos tocar a vida, reflete no nosso ânimo, na concentração, na criatividade, onde tudo, no nosso interior, passa a ter conotação de urgência, urgentíssima. Entretanto, o mundo extra “eu”, continua na sua velocidade normal, relativamente mais lenta, fazendo com que cobremos das pessoas e do mundo, maior agilidade. “Vamos rapaz! Você está muito lerdo!”

A sensação de pressa e de que as pessoas estão cobrando isso de você, seja pessoalmente, por carta, telefone, fax, e-mail ou, até mesmo, por pensamento, acaba em frustração quando, por exemplo, queremos ler um romance, ouvir uma música ou ver um filme. Eu, por exemplo, deixo essas atividades para durante a madrugada, mas as pálpebras insistem em nos levar ao mundos dos sonhos que, incrível, parecem ser projetados em maior velocidade, como que para caber mais sonhos, no mesmo intervalo de sono.

Apesar disso, ainda que saibamos desse mal, nos sentimos culpados e fracassados por não estarmos conseguindo acompanhar esse mundo louco e alucinado que não, apenas, está aí, mas que todos, parecem fomentá-lo! Entramos nesse turbilhão e, mesmo não querendo, acabamos por alimentá-lo. É o círculo vicioso!

Já é hora de dizer não! Não à pressa, não à urgência, não à busca desenfreada do sucesso esporádico (sempre é esporádico!). Vamos dizer um sim à Maria Fumaça, à caminhada sem tempo, à leitura tranqüila e prazerosa, ao final de semana livre, ao crescimento pessoal, à troca do sucesso pela prosperidade eterna, à construção de um livro, ao sonho pelo sonho.

Eu não lembro da última vez em que tirei um tempo, realmente, para mim, só para mim. Um tempo onde, principalmente, eu não esteja me cobrando nada. Um tempo em que, eu faça o que fizer, estarei fazendo o certo, na hora certa, no local certo. Um tempo sem ponteiros, mas que ainda assim, ao final de um dia, me dê a sensação de ter feito o que era pra fazer.

Agora me conta: Há quanto tempo você não é o dono do seu tempo?

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14.12.04

No Happy Hour Café com Leite...
por Silvio T Corrêa

Essa vai ser uma seção de onde sairão as histórias, tiradas das mesas onde acontece o Happy Hour Café com Leite.
É verdade que o leite, pode ser o de onça; o café, acompanhado de conhaque ou uísque, ou tomado puro, como saideira, depois de algumas cervejas. Fica tudo por conta, e risco, do freguês.
Então, nessa semana que acabou, estava um clima de Espírito de Natal, por causa da seguinte história:

Pois é amigos, no Happy Hour Café com Leite dessa semana, encontrei o Pedro Miguel, que já não via há duas semanas. De longe, vi Pedro sentado na última mesa, cabisbaixo, com sua xícara de capuccino, totalmente absorvido pelos pensamentos.

— Oi Pedro! Que é que há?

— Senta! Senta aí! Estou muito pensativo!

— Estou vendo! É por causa do Natal?

— Quase, quase isso! Vou te contar!

“Eu estava vindo pela avenida, pensando na vida como dizem, quando ouvi o choro de um homem. Não tinha mais do que 40 anos e não estava maltrapilho, mas também não parecia ser alguém de posses.”

— O que está havendo amigo? Que choro é esse em uma noite estrelada como a de hoje?

— É um choro de alegria, de felicidade! É um choro de amor, de reconhecimento, de agradecimento!

— Conta pra mim homem! Que alegria é essa que te faz chorar?

— Hoje, meu amigo, acordei com uma tristeza muito grande. Um nó apertado no coração. O mundo parecia ruir!

— É, eu sei como é isso!

— Saí então para espairecer. Peguei um ônibus circular e fui olhando as pessoas nas ruas. Quanto mais eu olhava mais ficava apaixonado pela vida, e aquele nó, tão apertado, aos poucos começou a afrouxar.

— O que aconteceu? O que você viu?

— Aos poucos fui percebendo que a tristeza que às vezes sentimos, não é para nos sentirmos tristes, mas para entendermos que a alegria está em todo lugar e que ela está sempre ao nosso alcance.

A mulher, que no sinal de trânsito, dá a mão a uma senhora idosa para atravessar a rua, está abrindo as portas do coração para que a alegria possa preencher seu peito.

O homem, que apenas para pra escutar um pobre mendigo contar suas mazelas, está mostrando ao irmão, que ele não está sozinho. Esse homem está angariando créditos para sua vida.

O senhor, bem vestido, que está enchendo sua limusine de brinquedos, para tornar o Natal de crianças órfãs, um pouco menos doído, usa o dinheiro para sua prosperidade e a do próximo.

Aquele que, na sua porta, além de atender o pedinte com um pedaço de pão, dispõe dos seus olhos, boca e ouvidos para atender-lhe os anseios da alma, consegue alimentar o corpo e o espírito do pobre ser.

O motorista do ônibus, que pacientemente, aguarda a idosa mulher subir no veículo, está demonstrando seu amor ao próximo.

— Sim! Muito bacana! Mas e daí!

— Daí, meu amigo, se a tristeza invade seu peito, doe um pouco de si para que a alegria invada seu coração. Não aguarde o Natal para amar o seu próximo, pois o amor é atitude urgente, não pode ter data marcada. Não espere o Espírito Natalino, crie você mesmo o Espírito de Natal a cada dia, compreendendo e auxiliando aquele que está ao seu lado.

E por favor deixe, permita que a alegria invada você, não criando empecilhos e fantasmas, que tantas vezes construímos do nada.

— Entendi amigo! Você tem razão! A tristeza, que muitas vezes sentimos, tem a semente no nosso interior e, portanto, só cabe a nós desfazê-la. Obrigado! Um bom Natal para você!

— E é por isso que estou tão pensativo! As soluções são tão claras, os caminhos escancarados e só a nós, cabe escolher o que queremos. O Espírito de Natal nos ajuda a enxergar isso, mas precisamos exercer esse direito o ano todo.

— É Pedro! Você tem motivo para estar pensativo, mas também tem motivo para comemorar. Zeca, traz um expresso!

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